A apneia do sono é um distúrbio respiratório caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante o sono. Essas pausas fragmentam o descanso, reduzem a oxigenação e podem ocorrer repetidamente sem que a pessoa perceba. Quando não é reconhecida e tratada, a condição pode prejudicar a qualidade de vida, a concentração e a saúde cardiovascular. Trata-se de uma doença extremamente comum hoje: 39% dos homens e 30% das mulheres possuem apneia do sono, e para apneia do sono grave a prevalência é de 9,62% vs. 6,54% (dados do estudo EPISONO 4).
O que é apneia do sono?
Existem diferentes tipos de apneia do sono. A forma mais frequente é a apneia obstrutiva do sono, também chamada de SAHOS. Ela ocorre quando os músculos da garganta relaxam e provocam estreitamento ou fechamento temporário da via aérea superior, apesar da manutenção do esforço respiratório.
Na apneia central do sono, o problema está relacionado à falha temporária do cérebro em enviar estímulos adequados aos músculos responsáveis pela respiração. Há ainda a apneia mista, que reúne componentes obstrutivos e centrais. Estes distúrbios são mais incomuns comparados com a apnéia obstrutiva.
Durante os eventos respiratórios, a pessoa pode apresentar apneias, quando há interrupção do fluxo de ar, ou hipopneias, quando ocorre redução parcial da respiração. Esses episódios levam a microdespertares que impedem a manutenção de um sono profundo e reparador.
Quais são os principais sintomas?
O ronco alto e frequente é um dos sinais mais conhecidos, mas nem toda pessoa que ronca tem apneia. O alerta aumenta quando o ronco é acompanhado por pausas respiratórias observadas por familiares, engasgos, sensação de sufocamento ou despertares repetidos.
Outros sintomas comuns incluem:
- sonolência excessiva durante o dia;
- cansaço ao acordar;
- dor de cabeça matinal;
- boca seca ao despertar;
- dificuldade de concentração e falhas de memória;
- irritabilidade ou mudanças de humor;
- sono agitado e despertares frequentes;
- necessidade de urinar várias vezes à noite;
- redução da libido;
- queda do rendimento no trabalho ou nos estudos.
Em algumas pessoas, principalmente mulheres, a doença pode se manifestar de maneira menos típica, com fadiga, insônia, alterações de humor e cefaleia. Em crianças, podem ocorrer ronco, respiração pela boca, sono inquieto, dificuldade de aprendizagem, irritabilidade e hiperatividade.
Quem apresenta maior risco?
A apneia obstrutiva do sono pode afetar pessoas de diferentes idades e pesos. Entretanto, alguns fatores aumentam o risco, como obesidade (de longe o fator de risco com o maior impacto), aumento da circunferência do pescoço, avanço da idade, consumo de álcool próximo ao horário de dormir, tabagismo, congestão nasal e alterações anatômicas da face, mandíbula, língua, amígdalas ou faringe.
Histórico familiar e menopausa também podem contribuir. Hipertensão arterial de difícil controle, arritmias, insuficiência cardíaca, diabetes tipo 2 e acidente vascular cerebral podem coexistir com a apneia e reforçar a necessidade de investigação.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com uma avaliação médica detalhada. O pneumologista ou médico do sono analisa sintomas, fatores de risco, doenças associadas, uso de medicamentos e relatos de quem dorme no mesmo ambiente.
Questionários clínicos ajudam a estimar a probabilidade de apneia, mas não confirmam o diagnóstico isoladamente. O exame mais completo é a polissonografia, realizada durante o sono. Ela registra fluxo respiratório, esforço para respirar, oxigenação do sangue, frequência cardíaca, posição corporal, ronco e estágios do sono. Em pacientes selecionados, pode ser utilizado a polissongrafia domiciliar para apneia do sono, com equipamento portátil. A escolha entre essas modalidades depende do quadro clínico, da suspeita diagnóstica e da presença de outras doenças.
A gravidade costuma ser avaliada pelo índice de apneia e hipopneia, que representa o número de eventos respiratórios por hora de sono. A interpretação, porém, não deve considerar apenas esse número: quedas de oxigênio, sintomas, comorbidades e características individuais também influenciam a decisão terapêutica.
Como tratar a apneia do sono?
O tratamento da apneia do sono é individualizado. Medidas comportamentais podem incluir perda de peso quando indicada, atividade física regular, redução do consumo de álcool, abandono do tabagismo, tratamento da obstrução nasal e mudança da posição de dormir em casos selecionados.
A pressão positiva nas vias aéreas, especialmente o CPAP, é um dos principais tratamentos. O aparelho envia ar por uma máscara e mantém a via aérea aberta durante o sono. A adaptação da máscara, o ajuste da pressão, a umidificação e o acompanhamento profissional são fundamentais para melhorar o conforto e a adesão.
Aparelhos intraorais de avanço mandibular podem ser indicados em casos selecionados, sobretudo na apneia leve ou moderada, na intolerância ao CPAP ou por preferência do paciente. Devem ser confeccionados e acompanhados por profissional habilitado.
Cirurgias podem ser consideradas quando há alterações anatômicas relevantes ou quando outras terapias não apresentam resultado satisfatório. Tratamento posicional, terapia miofuncional e intervenções específicas também podem integrar o plano terapêutico.
Quando procurar um pneumologista?
Procure avaliação se houver ronco intenso, pausas respiratórias, engasgos noturnos, sonolência diurna persistente, dificuldade de concentração ou hipertensão de controle difícil. Pessoas com sonolência ao dirigir ou operar máquinas devem buscar atendimento rapidamente, devido ao risco de acidentes. A apneia do sono tem tratamento! O diagnóstico correto e a escolha da terapia mais adequada podem melhorar a qualidade do sono, reduzir os sintomas diurnos e proteger a saúde em longo prazo.